sábado, 18 de abril de 2009

Contadora de histórias




Sinto que enquanto psicóloga/narradora/mediadora enriqueço a contadora de histórias que sou... Enriqueço-a no sentido de a responsabilizar pelo acto de pensar, de acordar emoções, de as conter...



“Eu considero o contador como um artista, um criador, um poeta. É um mago, um ilusionista, um evocador de imagens que fazem surgir um universo poético pela sua presença. Ele abre a porta do imaginário, ele realiza um brecha no racional, no banal. Ele permite ao seu auditório de se evadir do seu quotidiano, dos hábitos e das preocupações materiais. Ele pode abrir os olhos sobre o mundo, trazer um ponto de vista crítico e profético sobre os tempos presentes e os que hão-de vir. É um passador/barqueiro por terras do desconhecido, ele faz ecoar em nós os ecos profundos esquecidos, refugiados/evadidos às vezes na infância” (Cazaux, 1993)*



* Cazaux, H. (1993). O conto é bom in revista Se former +/pratiques et aprentissages de léducation . Março – S24

domingo, 22 de março de 2009

OFL e os Encontros de Pais

Objectivo:
- Proporcionar a troca de vivências e experiências enquanto pais;
- Sublinhar a importância do conto infantil enquanto mediador da abordagem de diferentes temáticas e emoções
- Permitir o usufruto de um espaço de reflexão teórica sobre temáticas que façam parte do desenvolvimento infantil.

Encontro: Após a leitura e expressão dramática de contos, dá-se lugar a uma reflexão em grande grupo acerca de uma temática sugerida pelos pais ou pela própria instituição. No exemplo que se segue foi explorado o seguinte tema: "A importância de pais seguros e protectores para o desenvolvimento saudável de uma criança".


1º momento: Recepção aconchegante (chá e biscoitos). Pequena dinâmica de grupo de forma a melhorar a capacidade de comunicação entre os participantes bem como para soltar a capacidade criadora estimulando a reflexão e o respeito pelas diferenças individuais dos diversos elementos do grupo.

2º momento: Leitura e expressão dramática de Contos (itinerários de leitura permitindo uma intertextualidade entre contos)



3º momento: Reflexão sobre os contos e troca de vivências- Breve abordagem teórica sobre o assunto com entrega de frases reflexivas ao longo do diálogo com os pais.


*Estas fotos correspondem ao encontro que decorreu em 2 dias (com 2 grupos) na Creche Popular de Moscavide no Clube de Pais
Outros temas que o OFL tem explorado, ou pode explorar, com grupos de pais:
- Os amigos acima dos bens materiais;
- A importância de reforçar a autonomia e a independência numa criança;
- Os irmãos, a rivalidade fraterna e as questões face ao amor dos pais;
- A importância de pais seguros e protectores para que as crianças se desenvolvam de um modo saudável;
- A importância de parar para dizer o quanto se gosta ( a importância das palavras doces);
- As zangas dos filhos;
- As frustrações da vida, a importância de as vivermos para que as possamos ultrapassar;
- A importância de valorizarmos "guardar alguém ou alguma coisa dentro de nós", assim ficará connosco para sempre;
- Poder ser diferente, a necessidade de adaptação e a importância das pessoas significativas nessa tarefa;
- Falar dos medos para poder crescer seguro.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

OFL com as Educadoras


Este mês o encontro foi realizado com o livro postado em baixo, cujo título é:
A incrivel história da menina pássaro e do menino terrivel
Eis um excerto das trocas férteis e ricas que se fazem nestes ateliers:
(...)
- O que está por trás do terrível... podemos pensar sobre isso, muitos são meninos tristes e tentam compensar essa tristeza.
- Aqui também se fala do hábito, do rótulo. Ou seja, depois de ouvir que era terrivel o menino fica mesmo terrivel, o peso do rótulo que ao fim ao cabo está presente na vida.
(...)
- Este livro fala também de aprender a amar. Esta criança esteve atenta aos sinais para depois amar. Nós (educadoras) também fazemos isso quando estamos predispostas a ouvi-los.
- É engraçado que para além do menino sentir a necessidade de procurar os tais sinais, também sentiu a necessidade de se identificar com a menina pássaro, tenta falar uma mesma linguagem.
(...)
- Também é importante colocarmo-nos do lado desta mãe, se calhar também nunca foi amada, logo como é que pode amar?
(...)
- Nós podemos ser referências positivas na vida das crianças, também não somos super mulheres... mas o facto de reflectirmos faz com que reformulemos.
(...)
Estes ateliers são um momento de encontros internos, de relação individual e grupal, de trocas, de contenção de ansiedades, de partilha de afectos.
Como mediadora destes encontros também me sinto permeável às emoções que são ali trabalhadas, sinto a importância do espaço para si próprias enquanto educadoras, enquanto mulheres, enquanto pessoas.
Obrigado Ana, Anabela, Cristina e Maria João (Educadoras da APIA*)por partilharem comigo este momento.
*Este atelier é desenvolvido mensalmente na Associação de Protecção da Infância da Ajuda (APIA) bem como na Creche Popular de Moscavide



quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

OFL no Projecto Itinerâncias

A DGLB, pelo terceiro ano consecutivo, abraçou o Ouvir o Falar das Letras no Projecto Itinerâncias para 2009. Fica assim aberta mais uma possibilidade de nos encontrarmos nas bibliotecas de Portugal . Espero publicar brevemente os locais onde decorrerão os ateliers.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Meninos(as) terríveis





Existem muitos meninos(as) terriveis... porquê? Saberão amar? Será que souberam amá-los?
Eis um conto que nos transporta para o âmago do "não ser amado" para o "aprender a amar"...
De acordo com Ainsworth,* só com base na confiança, na segurança, na acessibilidade e na disponibilidade das figuras de apoio e protecção é que se estabelecem laços de vinculação e se pode explorar o mundo que nos rodeia. Na minha perspectiva este livro fala-nos um pouco sobre estes processos, estes laços tão significativos que nos fazem crescer e ser (ou não) meninos(as) terriveis.

Conto: Castagnoli, A. e Janssen, S (il)(2008) A incrivel história da menina pássaro e do menino terrivel. OQO

*Guedeney, N & Guedeney, A. (2004) Vinculação - Conceitos e aplicações. Climepsi. Lisboa

domingo, 30 de novembro de 2008

Por fora e por dentro...




Caixas usadas em alguns momentos de expressão dos ateliers do OFL...
Caixas fechadas: O que estará lá dentro? (pergunto) São piratas! São bolas, muitas bolas douradas! São rebuçados! É água! (respondem)
Caixas abertas: Oh... não tem nada do que dissemos... (digo eu) Mas também tem coisas giras... olha... (dizem as crianças)
Tantas reflexões que se fazem... tantos pensamentos que fluem num momento mágico... O conto e o momento de expressão aliam-se de um modo tão natural.

Xico


Oh Xico... ele pensava que a lua era feita de queijo fresco! A desilusão faz parte da vida, devemos respeitá-la, senti-la se tiver que ser, mas depois é bom que tentemos ultrapassar, olhar em redor e procurar o que nos pode enriquecer, o que é que ali, naquele momento, poderemos sentir e viver que nos possa dar prazer e fazer sentir melhor.. O Xico abraçou-se à lua e ela embalou-o, que bom que foi...

Conto: P. Carballeira e B. Barrio (2007) "Xico". Kalandraka