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domingo, 2 de janeiro de 2011

OFL no I Congresso Internacional de Psicologia do Desenvolvimento




O projecto Ouvir o Falar das Letras terá uma comunicação no I Congresso de Psicologia do Desenvolvimento a decorrer no ISPA entre os dias 2 e 5 de Fevereiro de 2011. A intervenção será dia 4 de Fevereiro - Mesa de comunicação "SER CRIANÇA", das 9h30 às 11h, sala 305.

Este projecto abraça o desenvolvimento infantil e todas as problemáticas a ele adjacentes. Como tal, pretende-se apresentar a dinâmica do OFL, o encontro que faz com o pensamento e com o diálogo emocional, utilizando a literatura infantil como meio para suavizar a caminhada interna que o desenvolvimento do ser humano implica.

Consulte programa aqui.

sábado, 3 de julho de 2010

4º curso verão Biblioteca Algés - Centro Oeiras a Ler

Violências, Pedagogias e Imaginários






Senti que "os contos e os medos" (oficina que o OFL integrou neste 4º curso de verão sobre violências, pedagogias e imaginários) foi muito bem recebida; as temáticas exploradas suscitaram interesse ao longo das 3h do encontro e diálogo nos momentos de intervalo.
A 2ª parte da oficina, com base na análise acerca dos contos e do tema do luto e da morte, teve como suporte um momento de expressão e reflexão o qual foi realizado utilizando o livro : Didier Lévy, Tiziana Romanin (il), L'Arbre lecteur , Éditions Sarbacanne - Collection Girafon Poche, 2006, Paris. Mesmo perante a morte da árvore leitora, as emoções que emergem nas memórias do menino que com ela interage, fluem neste livro de forma viva e acesa.


A partir daqui, surgiu esta proposta: "Usem o espelho pele (expressão de Joana Cavalcanti acerca da projecção que fazemos sobre o conteúdo do próprio livro) para imaginar que outras memórias poderiam recordar com prazer em relação à árvore leitora; como se estivessem a partilhar essas boas memórias entre todos.

Eis o que surgiu:

"Guardo o som do vento que soprou pelos teus ramos e abriu a minha janela para o mundo"

"Tu que me embalaste nos teus ramos, embala agora os meus sonhos nas tuas páginas"

"Peço licença à árvore para me sentar à sua sombra e recordar o momento em que a plantei, tão pequenina...Agora é ela que me dá abrigo, tal qual como fiz com o meu filho"

"A árvore leitora transmissora de sentimentos e afectos nos momentos que mais precisamos dela"

"Guardo os momentos onde nem eu nem tu falavamos pois tu nunca falaste com palavras, mas entre nós só falavam as palavras do nosso livro, dos nossos livros"

"A tua recordação ajudou a minha educação. Li, vivi, aprendi, chorei, sofri e renasci em ti."

"Ficou a sensação de haver muitas mais árvores leitoras na floresta da promoção da leitura"

"Recordo as cócegas do teu abraço sobre as minhas leituras"

"Gosto de lembrar os momentos em que estava junto de ti e o vento e tu me contavam histórias"

"No outono as suas folhas começavam a cair e eu ficava triste, ela já não era tão bonita. A árvore reparava e dizia: As árvores, ao contrário das pessoas, não têm frio no inverno, assim podem perder alguma da sua roupa. No entanto, como são vaidosas, na Primavera terão de novo folhas. Só temos que esperar uns tempos. Entretanto vamos brincando!"

"Guardo a imagem da minha mãe a afagar os meus cabelos à sombra daquele velho castanheiro."

"O que eu mais gostei foi de comer batatas fritas contigo querida árvore!"

"Que belas horas que passei aqui contigo, nesses momentos de lazer que me pareceram não ter fim..."

"Tenho saudades dos teus longos abraços apertados quando eu sentia medo de algumas palavras"

"As palavras dos meus livros transformaram-se nas palavras do teu livro"

"Sentado na árvore estou mais perto do céu, sinto-me leve e ao mesmo tempo estável"

"Cada folha da tua árvore é uma história lida, um riso e um sorriso, uma lágrima, um sonho, uma gargalhada, uma aventura que vivi e senti à tua sombra."

"Guardo o cheiro das nossas leituras nas longas tardes de verão. As belas histórias que lemos e as aventuras que vivemos irão sempre acompanhar estas páginas deste caderno feito a partir de ti. Até sempre."

"As tuas folhas, por vezes agitadas, pareciam rir-se comigo das histórias que liamos"

"Guardo o cheiro das tuas folhas a espreitarem as páginas dos meus livros."

"O vento a soprar gentilmente entre as tuas folhas, os teus odores, traz-me à memória outras vivências tão intensas como esta que agra sinto e quero partilhar - a minha doce infância, a minha terra distante."

"Dali de cima eu via tudo. Não tinha medo de nada. Ali eu era nuvem, um pássaro, uma folha e às vezes o vento. Ela morreu mas eu continuo a ir lá."



Lamento não ter havido espaço para o co-pensamento nesta 2ª parte, no entanto pela envolvência de cada um destes pensamentos antecipo trocas coesas de vivências. O tema da morte não amedronta o talento maciço das memórias. Nesta árvore, oferecem-se palavras aos imagos internos que ficaram na relação com a árvore leitora (ou com as referências que vamos estruturando prazerosamente por dentro) que jamais morrerão no nosso tecido interno pessoal. A morte é um tema que, abordado simbólicamente, com o holding de um conto, poderá mais facilmente ser verbalizada, e a angustia, associada ao luto, mais tranquilamente superada. As memórias que aqui se soltam, nas frases acima, transportam-nos para outras vivências, para lá do conto, trazem aquilo que de mais seguro temos, os registos internos.

Uma oficina que daria mais algumas horas..
Um abraço a todos os participantes, tive um enorme prazer em estar convosco.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

OFL no curso Violências, Pedagogias e Imaginários…Curso Livre Sobre Contos



O Ouvir o Falar das Letras tem o prazer de se juntar ao Centro Oeiras a Ler em mais um evento promotor do co-pensamento e da partilha de experiências e conhecimentos. Através de diferentes contos que abordam a temática do medo (mesmo simbólicamente) procurarei fazer uma ponte com conteúdos do desenvolvimento emocional e criar uma oficina dinâmica de reflexão acerca das temáticas.

"Positivamente, contar histórias é uma das mais belas ocupações humanas: e a Grécia assim o compreendeu, divinizando Homero que não era mais que um sublime contador de contos da carochinha. Todas as outras ocupações humanas tendem mais ou menos a explorar o homem; só essa de contar histórias se dedica amorosamente a entretê-lo, o que tantas vezes equivale a consolá-lo.” Eça de Queiroz (2000, p.12) "Entreter amorosamente" e "consolar" são duas acções que dão ao conto uma potencialidade quase maternal. Revestir este género literário com as características acima descritas traz ao acto de contar um cariz de vinculação, de relação afectuosa e contentora. É tudo isto que procuro neste encontro.

Inscrevam-se:

Violências, Pedagogias e Imaginários…Curso Livre Sobre Contos

28 de Junho a 03 de Julho de 2010

Centro Oeiras a Ler | Biblioteca Municipal de Algés

Ana Mourato - Os contos e os medos (oficina)

30 de Junho

Informações e inscrições: Biblioteca Municipal de Algés, tel. 214118970, e-mail: marta.silva@cm-oeiras.pt

quinta-feira, 27 de maio de 2010

8º Encontro Nacional de Leitura, Literatura Infantil e Ilustração

O OFL vai estar presente no 8º Encontro Nacional de Leitura, Literatura Infantil e Ilustração na Universidade do Minho com o poster do projecto.


quarta-feira, 1 de julho de 2009

Tese defendida!


A tese de mestrado em Educação e Leitura, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, com o título "O conto infantil como mediador e contentor ao longo do desenvolvimento: Estudo de caso "Ouvir o Falar das Letras" - está defendida! Teve como júri a Professora Violante Magalhães, o Professor Justino Magalhães e a Professora Teresa Fagulha. Reuniram-se as áreas da literatura, educação e psicologia fazendo jus à pluridisciplinariedade deste projecto.
O "Ouvir o Falar das Letras" foi muito bem recebido pelo júri que o congratulou com uma apreciação deveras positiva: Muito Bom!
Esta tese valoriza o projecto que está a ser desenvolvido e dá uma sustentação teórica às suas bases. Pondera-se uma possivel publicação pelo que, caso seja realizada, será igualmente divulgada neste blog. Brindo convosco!

sábado, 3 de maio de 2008

XXI Colóquio da Sociedade Portuguesa de Psicanálise



Mesa temática onde o Ouvir o falar das letras teve um espaço:
O conto como organizador do psiquismo - conta-me uma história.
Dia: 16 às 11h30.
Pequeno resumo da apresentação:

A emoção está na base de toda a aprendizagem. A criança aprende quando o seu interesse é suscitado afectivamente pelos problemas que a colocam em contacto consigo, com os outros e com o mundo. Através do faz-de-conta experimenta-se a si mesma, vive os seus sonhos, as suas fantasias e até os seus medos, provando a si própria as suas capacidades de transformação, imaginando outras situações, ou imaginando-se noutras situações, tornando-se encenadora das suas próprias histórias.
Despertando nas crianças o interesse pela obra literária, oferecemos-lhes uma excelente base para um diálogo interior, mediatizado pela história, convidando à acção imaginativa e sensorial, que ecoa e transforma o que é percebido no texto e na imagem que a acompanha. Os contos, com o riquíssimo valor simbólico dos seus conteúdos e com o espaço permitido, ao longo das páginas, para diferentes leituras e sentimentos, dão-nos a possibilidade de criar um ambiente propulsor de trocas e de apaziguantes encontros internos com o pensamento.
No projecto “Ouvir o Falar das Letras” (OFL), a psicologia clínica e a psicologia educacional fundem-se e aninham-se, com a literatura infantil, num mesmo campo de amadurecimento, que se debruça sobre as problemáticas do desenvolvimento e crescimento infantil.
Procuramos pôr em diálogo o conto e as emoções, suscitar o prazer em ouvir e em sentir o que nos contam as letras, as histórias. Utilizando o conto como mediador, estes ateliers proporcionam à criança a possibilidade de tomar consciência de pensamentos, valores e emoções, projectar-se nos seus enredos e nas suas personagens, rever-se nos comentários das outras crianças e, no aqui e agora, responder a questões e metabolizar medos e angústias relativas às suas próprias experiências.
Os contos que exploramos neste projecto são seleccionados pelos seus conteúdos, significativos e abrangentes e pelos desafios desenvolvimentais que evocam, conteúdos que, supomos, são particularmente aptos a despertar interesses e curiosidades, a tocar e a deixar em alerta as emoções.
O OFL dirige-se a grupos de crianças com idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos e entre os 6 e os 12 anos e decorre em bibliotecas a nível nacional, em ateliers pontuais, e em jardins-de-infância, em ateliers de continuidade. O Projecto estendeu-se igualmente a grupos de educadores e de pais, tornando-se um espaço único de trocas emocionais e de diálogo com a criança que existe em cada adulto, permitindo, também, desenvolver uma atitude de crescente empatia para com as crianças.
O projecto OFL tem-se revelado um facilitador do processo de desenvolvimento infantil, permitindo abordar e superar situações problemáticas, expandindo o mundo interno e abrindo uma maior disponibilidade para aprender e para crescer.