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domingo, 22 de janeiro de 2012

Sintonia indissecavel!


Como seleccionar livros para a infância?

Nesta busca constante de significado pleno, a linguagem, ilustração, grafismo e mesmo o suporte material unem-se numa SINTONIA INDISSECAVEL. É nesta integração da obra que se delineia a selecção, é um processo que requer amadurecimento e prazer na envolvência com o livro. Perante uma estante de livros para a infância deveremos, pelo menos nós, os amantes desta área, estar disponíveis externa e internamente, respirar fundo, retirar o possível livro a seleccionar, sentir-lhe o peso, o impacto da cor, da ilustração, a fluidez do mergulho na narrativa, o impacto emotivo cá dentro, como se coaduna o desfecho com o âmago das nossas vivências e da nossa forma de estar. Leríamos esta obra? Surge-nos cheiros e imagens na memória quando fechamos o livro? Ou soube-nos a seco? Se temos sabor na ponta da língua e se uma inquietação nos aflorar no peito então é para guardar internamente.

Venham ao Workshop! Inscrevam-se! Ver post abaixo!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

As palavras têm outra casca

R
"As palavras têm outra casca
lá mais para dentro
como as amêndoas
e a paciência."

Giánnis Ritsos
in O esplendor da linguagem. Colecção Literatura Portátil. Editora Alma Azul. 2008


A narrativa de um conto tem relevos que lhe dão corpo e peles simbólicas que lhe dão outras texturas, outras cascas. Internamente fica o seu miolo carnudo, consistente, que se aninha no pensamento sem dizer nada... pacientemente.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Doutoramento Psicologia da Educação


O OFL vai dar continuidade ao processo de investigação e análise no âmbito da literatura para a infância. O doutoramento em Ciências da Educação com especialização em Psicologia da Educação trará um amadurecimento a este campo. Partilharei, neste espaço, leituras e encontros entre o desenvolvimento humano, a educação e a literatura infantil. Decidi, içarei as velas e velejarei neste barco, levarei comigo todos os que me foram enchendo de narrativas, gritarei em cada terra à vista com a certeza de trazer mais alguém a bordo e, pedirei permissão para subir à proa de muitos outros imponentes navios que passarão ao meu lado no intuito de amadurecer e dar corpo coeso às linguagens que nesta área vão criando bases vindas de muitos encontros e co-pensamentos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pontos de partida

Cheguei.

Gostaria de vos dar a conhecer o que trago em mente para este Outono, gostaria de vos lançar datas e temas que começaram a ganhar terreno no caderno que me acompanhou e que ainda traz cheiros de praia, no entanto, há algo que me prende neste inicio de Setembro..

O meu rebento, com 3 anos, iniciou o Jardim de Infância.

Embora esteja presente, de um modo muito claro e racional, a pertinência deste espaço, a importância da relação entre pares e a relação com novos adultos, embora tenha em mim a segurança mais profunda que o cantinho escolhido é um verdadeiro ninho e que a componente humana prima pela qualidade afectiva e pedagógica, cruzam-se num mar emocional as angustias mais profundas.

Devo dizer, como não podia deixar de ser, que a literatura para a infância tem permitido identificações constantes, tem sido uma ponte, um organizador interno .. Partilho 3 livros* que fizeram parte do amadurecimento em relação a esta etapa; no entanto, não descobri na subtileza da narrativa, no carácter simbólico da escrita e da ilustração, algo que traduzisse esta angústia de abandono que assalta ambas as partes, se descobrir entretanto “o livro” anexarei a este post.

Estou certa que as amizades, as descobertas, trarão novos voos e o bater de asas ouvir-se-á ao longe.. até lá respiro fundo e aninho o livro infantil à pele emocional que envolve a relação.

* "O bolinha vai à escola". Eric Hill, editora presença. 2010

"O jardim-de-infância". Doris Rübel, colecção despertar nº 9. 2009

"A escola do bosque" in "Histórias para ler e sonhar". Pedro Strecht e Bárbara Pacheco (il), Editora Assírio Alvim, colecção Assirinha. 2005


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

José Fanha e o Elefante acorrentado



O OFL, numa das suas valências, realiza ateliers com educadoras onde se permite uma troca de afectos e vivências, um mergulho na literatura dita para a infância, transformando-o num momento de riqueza projectiva, de copensamento, de novas perspectivas, de movimentos dinâmicos que fazem pensar e reflectir no âmbito pessoal e profissional.
Hoje explorámos o conto do médico e psicólogo argentino Jorge Bucay "O Elefante acorrentado". Eis um conto que remete para o poder da infância, para a estrutura da personalidade do ser humano, a infância enquanto pilar do processo de escolhas, de ligações, de correntes castradoras, que deixam subliminarmente a ideia de frustração e insucesso. O movimento de esperança cria-se naquilo que nos segredam as pessoas significativas, as que acreditam, aquelas que permitem a mudança, que asseguram um caminho com suporte e pensamento. Nesta sessão foram exploradas diversas temáticas bastante ricas das quais não pretendo fazer um resumo tornando o pensamento fluido de 60 minutos numa frase que se lê em 30 segundos. Deixo sim uma analogia feita por uma das educadoras; um poema de José Fanha partilhado com o grupo, um poema recitado apenas com as ligações internas que fez com ele, sem papel, sem livro, apenas com afecto.


Nós nascemos para ter asas meus amigos.

Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.

No entanto, em épocas remotas vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas assim como se gastam tostões.

Cortaram-nos as asas como se fossemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.

Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas de novo voltam a ser.
Aceitemos essa hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.

Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.

José Fanha, 1985, Cartas de Marear

domingo, 20 de junho de 2010

O espaço para a palavra

No OFL procura-se que os grupos não ultrapassem as 15 crianças de modo a permitir o fluir da palavra ao longo de todo o atelier. Partilho uma abordagem coerente com esta metodologia, da psiquiatra e psicanalista Annie Birraux, a qual escreveu:

"Expressar verbalmente aquilo que se experiencia, autoriza uma representação já elaborada do seu mundo inteior... A palavra é um instrumento de paz, quando lhe damos tempo para se exteriorzar e para chegar a um acordo com as verdadeiras intenções daquele que fala"

Annie Birraux, Parce qu'il faut bien quitter l'enfance, Éditions de la Martinière, p92

sexta-feira, 16 de abril de 2010

DGLB recebe o OFL nas Itinerâncias



Elementos do atelier referente ao livro "Orelhas de borboleta" (ver post abaixo)

O Ouvir o Falar das Letras vai estar com o projecto Itinerâncias* nos seguintes locais: Azambuja, Barreiro, Cascais, Chamusca, Mértola, Ponte de Sôr e Torres Novas.

*O OFL participa no projecto Itinerâncias desde 2007.

domingo, 16 de dezembro de 2007

A segurança de um conto - interacções



A interactividade de um conto existe logo à partida, basta contá-lo, basta estar com disponibilidade interna para o receber. A interacção concreta, a envolvência física das crianças no contar do conto, mediante os conteúdos abordados, pode ser muito rica mas também pode potenciar angústias e ansiedades. Se a criança passa a ter a obrigação de se encaixar em pleno no personagem, de ser o personagem, os conteúdos ficam mais próximos de si, não se poderá proteger no encantamento da história, na distância segura que um conto pode trazer. O vai vem de identificações que a criança pode fazer enquanto ouve um conto deverá ser feito livremente por ela, com o seu controlo. Senti a diferença no grupo de crianças que colaboraram no conto e as que não o fizeram, o registo de ansiedade foi muito maior no primeiro grupo. Partilho aqui uma reflexão.
Conto: Lionni, L. (2007). "O nadadorzinho". Kalandraka