segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Formações e workshop sobre literatura infantil e desenvolvimento humano


Clique sobre a imagem para visualizar com mais clareza.

As entidades/pessoas interessadas deverão solicitar o envio do pdf com informação detalhada das acções para o email: ouvir.pensar@gmail.com

Neste mesmo blog será divulgado o local onde decorrerão algumas destas acções e como proceder à respectiva inscrição.

domingo, 2 de janeiro de 2011

OFL no I Congresso Internacional de Psicologia do Desenvolvimento




O projecto Ouvir o Falar das Letras terá uma comunicação no I Congresso de Psicologia do Desenvolvimento a decorrer no ISPA entre os dias 2 e 5 de Fevereiro de 2011. A intervenção será dia 4 de Fevereiro - Mesa de comunicação "SER CRIANÇA", das 9h30 às 11h, sala 305.

Este projecto abraça o desenvolvimento infantil e todas as problemáticas a ele adjacentes. Como tal, pretende-se apresentar a dinâmica do OFL, o encontro que faz com o pensamento e com o diálogo emocional, utilizando a literatura infantil como meio para suavizar a caminhada interna que o desenvolvimento do ser humano implica.

Consulte programa aqui.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"A dois é melhor!"





Amadurece agora um novo projecto integrado no âmbito do Ouvir o Falar das Letras - "A dois é melhor!" - crianças dos 12 aos 36 meses.

Estes ateliers têm como base uma colecção de livros para a infância com o titulo original "À deux, c'est mieux", da autora Isabelle Gilbert, a qual engloba temáticas que fazem parte do desenvolvimento afectivo e emocional e que abraçam as narrativas de uma forma simples e bastante acessível para o público infantil.
A colecção "A dois é melhor!" é uma série de pequenos álbuns publicados pelas Edições Sarbacane em parceria com a Amnistia Internacional. Lily, Tom, Zoé, Paul, Chloé entre outros são um bando de insectos engraçados que vivendo juntos aprendem a cooperar na superação de etapas/momentos inerentes ao processo de maturação da vida.


As histórias seleccionadas remetem para vivências comuns deste público infantil e tornam-se por si só construtoras de vínculos e redes de apoio. A narrativa aliada ao papel do mediador, contentor e fluido seguro do simbolismo da narrativa e das emoções emergentes nestes ateliers permite o desenvolvimento da resiliência pessoal e oferece oportunidades para o conhecimento, permitindo que os participantes reconheçam as suas dificuldades e adversidades bem como as diferentes hipóteses de superação das mesmas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

José Fanha e o Elefante acorrentado



O OFL, numa das suas valências, realiza ateliers com educadoras onde se permite uma troca de afectos e vivências, um mergulho na literatura dita para a infância, transformando-o num momento de riqueza projectiva, de copensamento, de novas perspectivas, de movimentos dinâmicos que fazem pensar e reflectir no âmbito pessoal e profissional.
Hoje explorámos o conto do médico e psicólogo argentino Jorge Bucay "O Elefante acorrentado". Eis um conto que remete para o poder da infância, para a estrutura da personalidade do ser humano, a infância enquanto pilar do processo de escolhas, de ligações, de correntes castradoras, que deixam subliminarmente a ideia de frustração e insucesso. O movimento de esperança cria-se naquilo que nos segredam as pessoas significativas, as que acreditam, aquelas que permitem a mudança, que asseguram um caminho com suporte e pensamento. Nesta sessão foram exploradas diversas temáticas bastante ricas das quais não pretendo fazer um resumo tornando o pensamento fluido de 60 minutos numa frase que se lê em 30 segundos. Deixo sim uma analogia feita por uma das educadoras; um poema de José Fanha partilhado com o grupo, um poema recitado apenas com as ligações internas que fez com ele, sem papel, sem livro, apenas com afecto.


Nós nascemos para ter asas meus amigos.

Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.

No entanto, em épocas remotas vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas assim como se gastam tostões.

Cortaram-nos as asas como se fossemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.

Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas de novo voltam a ser.
Aceitemos essa hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.

Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.

José Fanha, 1985, Cartas de Marear

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

OFL em 3 jardins de Infância


O Ouvir o Falar das Letras tem uma casa mãe- Associação de Protecção à Infância da Ajuda (APIA). Os ateliers decorrem como projecto de continuidade na APIA desde 2005 e foi aqui que o seu âmago foi entendido e acolhido pela primeira vez, foi neste espaço igualmente que o OFL deu inicio ao projecto de continuidade sendo desenvolvido com as crianças de todas as salas do Jardim de Infância, em grupos de 12, em ateliers mensais. Na APIA decorre também os ateliers OFL com educadoras.

A Creche Popular de Moscavide veio receber igualmente de forma muito carinhosa este projecto e mantêm-no desde 2007 . O OFL desenvolve os seus ateliers com todas as salas de Jardim de Infância bem como os ateliers com o grupo de educadoras. No ano lectivo 2010/2011 a CPM recebeu o projecto A DOIS É MELHOR - nova iniciativa do OFL, direccionada para crianças dos 12 aos 36 meses de idade.

Em 2010/2011 o projecto OFL, na sua valência de continuidade, abraça mais um Jardim de Infância, "Abrigo Infantil", em Belém. Paralelamente à inauguração da sua biblioteca privada, muito simpática e acolhedora, brinda-se o encontro do OFL com as crianças (dos 3 aos 5 anos) desta Instituição.

O suporte dado às diferentes etapas do processo de desenvolvimento emocional através do conto enriquece todo este processo de amadurecimento interno. Ainda bem que a escola está mais atenta, mais próxima do ser humano que é cada aprendiz.

sábado, 3 de julho de 2010

4º curso verão Biblioteca Algés - Centro Oeiras a Ler

Violências, Pedagogias e Imaginários






Senti que "os contos e os medos" (oficina que o OFL integrou neste 4º curso de verão sobre violências, pedagogias e imaginários) foi muito bem recebida; as temáticas exploradas suscitaram interesse ao longo das 3h do encontro e diálogo nos momentos de intervalo.
A 2ª parte da oficina, com base na análise acerca dos contos e do tema do luto e da morte, teve como suporte um momento de expressão e reflexão o qual foi realizado utilizando o livro : Didier Lévy, Tiziana Romanin (il), L'Arbre lecteur , Éditions Sarbacanne - Collection Girafon Poche, 2006, Paris. Mesmo perante a morte da árvore leitora, as emoções que emergem nas memórias do menino que com ela interage, fluem neste livro de forma viva e acesa.


A partir daqui, surgiu esta proposta: "Usem o espelho pele (expressão de Joana Cavalcanti acerca da projecção que fazemos sobre o conteúdo do próprio livro) para imaginar que outras memórias poderiam recordar com prazer em relação à árvore leitora; como se estivessem a partilhar essas boas memórias entre todos.

Eis o que surgiu:

"Guardo o som do vento que soprou pelos teus ramos e abriu a minha janela para o mundo"

"Tu que me embalaste nos teus ramos, embala agora os meus sonhos nas tuas páginas"

"Peço licença à árvore para me sentar à sua sombra e recordar o momento em que a plantei, tão pequenina...Agora é ela que me dá abrigo, tal qual como fiz com o meu filho"

"A árvore leitora transmissora de sentimentos e afectos nos momentos que mais precisamos dela"

"Guardo os momentos onde nem eu nem tu falavamos pois tu nunca falaste com palavras, mas entre nós só falavam as palavras do nosso livro, dos nossos livros"

"A tua recordação ajudou a minha educação. Li, vivi, aprendi, chorei, sofri e renasci em ti."

"Ficou a sensação de haver muitas mais árvores leitoras na floresta da promoção da leitura"

"Recordo as cócegas do teu abraço sobre as minhas leituras"

"Gosto de lembrar os momentos em que estava junto de ti e o vento e tu me contavam histórias"

"No outono as suas folhas começavam a cair e eu ficava triste, ela já não era tão bonita. A árvore reparava e dizia: As árvores, ao contrário das pessoas, não têm frio no inverno, assim podem perder alguma da sua roupa. No entanto, como são vaidosas, na Primavera terão de novo folhas. Só temos que esperar uns tempos. Entretanto vamos brincando!"

"Guardo a imagem da minha mãe a afagar os meus cabelos à sombra daquele velho castanheiro."

"O que eu mais gostei foi de comer batatas fritas contigo querida árvore!"

"Que belas horas que passei aqui contigo, nesses momentos de lazer que me pareceram não ter fim..."

"Tenho saudades dos teus longos abraços apertados quando eu sentia medo de algumas palavras"

"As palavras dos meus livros transformaram-se nas palavras do teu livro"

"Sentado na árvore estou mais perto do céu, sinto-me leve e ao mesmo tempo estável"

"Cada folha da tua árvore é uma história lida, um riso e um sorriso, uma lágrima, um sonho, uma gargalhada, uma aventura que vivi e senti à tua sombra."

"Guardo o cheiro das nossas leituras nas longas tardes de verão. As belas histórias que lemos e as aventuras que vivemos irão sempre acompanhar estas páginas deste caderno feito a partir de ti. Até sempre."

"As tuas folhas, por vezes agitadas, pareciam rir-se comigo das histórias que liamos"

"Guardo o cheiro das tuas folhas a espreitarem as páginas dos meus livros."

"O vento a soprar gentilmente entre as tuas folhas, os teus odores, traz-me à memória outras vivências tão intensas como esta que agra sinto e quero partilhar - a minha doce infância, a minha terra distante."

"Dali de cima eu via tudo. Não tinha medo de nada. Ali eu era nuvem, um pássaro, uma folha e às vezes o vento. Ela morreu mas eu continuo a ir lá."



Lamento não ter havido espaço para o co-pensamento nesta 2ª parte, no entanto pela envolvência de cada um destes pensamentos antecipo trocas coesas de vivências. O tema da morte não amedronta o talento maciço das memórias. Nesta árvore, oferecem-se palavras aos imagos internos que ficaram na relação com a árvore leitora (ou com as referências que vamos estruturando prazerosamente por dentro) que jamais morrerão no nosso tecido interno pessoal. A morte é um tema que, abordado simbólicamente, com o holding de um conto, poderá mais facilmente ser verbalizada, e a angustia, associada ao luto, mais tranquilamente superada. As memórias que aqui se soltam, nas frases acima, transportam-nos para outras vivências, para lá do conto, trazem aquilo que de mais seguro temos, os registos internos.

Uma oficina que daria mais algumas horas..
Um abraço a todos os participantes, tive um enorme prazer em estar convosco.